O ano de 2009 terminou com uma demonstração de força do Brasil. Num período em que uma crise mundial de grandes proporções abalou todo o planeta, nosso país não passou incólume, mas sobreviveu, de forma até considerável às turbulências econômicas.
Porém, com a previsão de reaquecimento da economia, velhos problemas de infraestrutura provavelmente retornarão (como os problemas aeroportuários de 2007; a péssima qualidade das estradas brasileiras; e o atraso na modernização dos portos marítimos) em 2010.
O Governo brasileiro, além de investir pesado para sanar essas deficiências, terá também de lidar com outra deficiência que, pelo menos em minha visão, tem reflexo direto nas que já foram citadas. A Educação sofre um duro golpe nesta semana, com a divulgação do relatório Educação para Todos, da Unesco.
Esse relatório leva em consideração quatro critérios básicos para definir o índice (chamado de IDE) que qualifica os países. São eles: atendimento universal, analfabetismo, igualdade de acesso à escola entre os sexos e número de ingressantes na 1ª série e de concluintes na 5ª. Nos três primeiros quesitos, o Brasil apresenta resultados superiores a 0,900 (como no IDH, o índice vai de 0, o pior, a 1, o melhor), o mínimo para ser considerado desenvolvido. Mas quando é levado em consideração o último quesito, o resultado cai para 0,756, nível encontrado em países como Nicarágua, Nepal e Djibuti.
Investir em Educação é uma das chaves para o sucesso econômico de um país. Em 2005, o Jornal Nacional mostrou uma série de reportagens que mostraram como países que apresentavam índices baixos de desenvolvimento conseguiram mudar esse quadro.
A Irlanda viveu anos na periferia econômica da Europa e apresentava desigualdades gritantes entre os católicos (maioria da população, sempre menos favorecida) e os protestantes. Para se ter uma ideia, na década de 60, apenas 10% dos jovens cursavam o ensino superior. A partir de então, a situação começou a mudar com investimentos do governo e, à época da reportagem, o número de jovens nas universidades do país já era de 60%. Tal desenvolvimento ágil rendeu a alcunha de "Tigre Celta" para a Irlanda, que superou os britânicos, seus eternos rivais, na renda per capita.
A Espanha sob a violenta ditadura de Francisco Franco entre 1939 e 1975. Ao final desse período negro e com a redemocratização, os espanhóis conseguiram entrar no mapa das potências europeias. Em 2003, investiu US$ 40 bilhões em Educação, enquanto o Brasil investiu apenas US$ 25 bilhões, sendo que a população espanhola equivale a 25% da brasileira. É o pais com o maior número, proporcionalmente, de universitários da Europa. Há 30 anos, somente 5% dos estudantes chegavam à universidade. Hoje, 80% dos jovens de até 25 anos estudam.
Já a Coreia do Sul apresenta índices impressionantes. Recém-saída de uma guerra civil na década de 50, os investimentos em Educação já chegavam, em 1965, a 16,2% do PIB. Em 2002, o valor subiu para 19,6%, ou seja, 1/5 de tudo o que o país produz. Ao todo, 98,5% dos adolescentes estão matriculados no ensino médio, e a carga horária de estudos é de oito horas diárias. Os professores, para lecionar, devem ter curso superior, passam por avaliações a cada dois anos e tem remuneração média equivalente a R$ 10500,00.
Com tudo isso, 80% da população consegue chegar À universidade, que são todas pagas, até as públicas. Além de todos os gastos do governo, as famílias gastam, em média, 20% de seus orçamentos com cursos extracurriculares para seus filhos. Depois das reformas implementadas, a economia sul-coreana cresceu a uma média de 9% por três décadas.
Tais dados mostram que os desafios de melhorar a Educação são enormes e gasta-se muito dinheiro. Mas esses investimentos, caso ocorram, seriam capazes de, num futuro próximo, auxiliar no processo de desenvolvimento logístico e de infraestrutura do Brasil. Espero que um dia os governantes percebam que investir 4,3% do PIB e simplesmente cogitar aumentá-lo somente para 7% não é suficiente para suprir as necessidades que o país precisa.
Porém, com a previsão de reaquecimento da economia, velhos problemas de infraestrutura provavelmente retornarão (como os problemas aeroportuários de 2007; a péssima qualidade das estradas brasileiras; e o atraso na modernização dos portos marítimos) em 2010.
O Governo brasileiro, além de investir pesado para sanar essas deficiências, terá também de lidar com outra deficiência que, pelo menos em minha visão, tem reflexo direto nas que já foram citadas. A Educação sofre um duro golpe nesta semana, com a divulgação do relatório Educação para Todos, da Unesco.
Esse relatório leva em consideração quatro critérios básicos para definir o índice (chamado de IDE) que qualifica os países. São eles: atendimento universal, analfabetismo, igualdade de acesso à escola entre os sexos e número de ingressantes na 1ª série e de concluintes na 5ª. Nos três primeiros quesitos, o Brasil apresenta resultados superiores a 0,900 (como no IDH, o índice vai de 0, o pior, a 1, o melhor), o mínimo para ser considerado desenvolvido. Mas quando é levado em consideração o último quesito, o resultado cai para 0,756, nível encontrado em países como Nicarágua, Nepal e Djibuti.
Investir em Educação é uma das chaves para o sucesso econômico de um país. Em 2005, o Jornal Nacional mostrou uma série de reportagens que mostraram como países que apresentavam índices baixos de desenvolvimento conseguiram mudar esse quadro.
A Irlanda viveu anos na periferia econômica da Europa e apresentava desigualdades gritantes entre os católicos (maioria da população, sempre menos favorecida) e os protestantes. Para se ter uma ideia, na década de 60, apenas 10% dos jovens cursavam o ensino superior. A partir de então, a situação começou a mudar com investimentos do governo e, à época da reportagem, o número de jovens nas universidades do país já era de 60%. Tal desenvolvimento ágil rendeu a alcunha de "Tigre Celta" para a Irlanda, que superou os britânicos, seus eternos rivais, na renda per capita.
A Espanha sob a violenta ditadura de Francisco Franco entre 1939 e 1975. Ao final desse período negro e com a redemocratização, os espanhóis conseguiram entrar no mapa das potências europeias. Em 2003, investiu US$ 40 bilhões em Educação, enquanto o Brasil investiu apenas US$ 25 bilhões, sendo que a população espanhola equivale a 25% da brasileira. É o pais com o maior número, proporcionalmente, de universitários da Europa. Há 30 anos, somente 5% dos estudantes chegavam à universidade. Hoje, 80% dos jovens de até 25 anos estudam.
Já a Coreia do Sul apresenta índices impressionantes. Recém-saída de uma guerra civil na década de 50, os investimentos em Educação já chegavam, em 1965, a 16,2% do PIB. Em 2002, o valor subiu para 19,6%, ou seja, 1/5 de tudo o que o país produz. Ao todo, 98,5% dos adolescentes estão matriculados no ensino médio, e a carga horária de estudos é de oito horas diárias. Os professores, para lecionar, devem ter curso superior, passam por avaliações a cada dois anos e tem remuneração média equivalente a R$ 10500,00.
Com tudo isso, 80% da população consegue chegar À universidade, que são todas pagas, até as públicas. Além de todos os gastos do governo, as famílias gastam, em média, 20% de seus orçamentos com cursos extracurriculares para seus filhos. Depois das reformas implementadas, a economia sul-coreana cresceu a uma média de 9% por três décadas.
Tais dados mostram que os desafios de melhorar a Educação são enormes e gasta-se muito dinheiro. Mas esses investimentos, caso ocorram, seriam capazes de, num futuro próximo, auxiliar no processo de desenvolvimento logístico e de infraestrutura do Brasil. Espero que um dia os governantes percebam que investir 4,3% do PIB e simplesmente cogitar aumentá-lo somente para 7% não é suficiente para suprir as necessidades que o país precisa.

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