quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Seria cômico, se não fosse trágico

Bom, amigos, depois de muito tempo posso finalmente retomar as escritas desse meu adorado blog. Esse semestre foi muito corrido, com muitos trabalhos na facul e tive, infelizmente, que abandonar momentaneamente esta atividade tão prazerosa, que é escrever.
Tratarei aqui, já neste retorno, de um tema espinhoso e difícil. Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do Democratas, está envolto num dos mais vergonhosos casos da política brasileira.
O Mensalão do Democratas, numa alusão ao esquema de pagamento de propina a pessoas influentes do PT e de alguns outros partidos, que ocorreu em 2005, tem contornos tão ou até mais trágicos do que seu “pré-cursor”. Podemos encontrar, no caso do Mensalão do Distrito Federal, todos os atos mais sujos e baixos que a falta de caráter é capaz de causar.
As cenas gravadas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF e delegado aposentado – que não denunciou o esquema por estar comprometido com a ética, mas sim porque se beneficiará judicialmente com a delação premiada –, mostram funcionários do alto escalão do governo brasiliense em momentos extremamente constrangedores. Alguns rezam ao receber o dinheiro ilegal; outros escondem o dinheiro em diversas peças de roupas, como nos bolsos dos paletós, nas meias e até em suas cuecas.
Essas cenas só demonstram como a falta de ética atinge todos os âmbitos e todas as esferas da política brasileira. Esquemas de favorecimentos se perpetuam e se alastram em maior grau, intensidade, e envolvem cada vez mais os políticos poderosos. Ou será que alguém já esqueceu que José Sarney, ex-presidente da República e atual presidente do Senado, esteve atolado até o pescoço com os atos secretos, que jogaram na lama a credibilidade da casa legislativa?
Apesar dos diversos pedidos de impeachment, já movidos contra o governador, ele tentará a todo custo se manter no poder. Aqui percebemos outro grave problema da política no Brasil: a impunidade. Como Sarney, ele usará os mesmos artifícios: colocará pessoas de sua confiança para analisar os pedidos de impedimento de governo. Isso sem contar que o próprio Arruda já participou de episódios lamentáveis, como a violação do painel do Senado, em 2001.
E o mais trágico é que, mesmo quando pessoas tentam protestar por mais ética e mais vergonha na cara, como fizeram os estudantes que invadiram a Câmara Legislativa do DF, surgem pessoas que tem a cara de pau de fazer uma manifestação a favor da permanência de Arruda no poder. Posso afirmar que essas pessoas são absurdamente imbecis, e não há outra nomenclatura para elas. Toda essa situação seria cômica, se não fosse trágica.

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