Bom, amigos, depois de muito tempo posso finalmente retomar as escritas desse meu adorado blog. Esse semestre foi muito corrido, com muitos trabalhos na facul e tive, infelizmente, que abandonar momentaneamente esta atividade tão prazerosa, que é escrever.
Tratarei aqui, já neste retorno, de um tema espinhoso e difícil. Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do Democratas, está envolto num dos mais vergonhosos casos da política brasileira.
O Mensalão do Democratas, numa alusão ao esquema de pagamento de propina a pessoas influentes do PT e de alguns outros partidos, que ocorreu em 2005, tem contornos tão ou até mais trágicos do que seu “pré-cursor”. Podemos encontrar, no caso do Mensalão do Distrito Federal, todos os atos mais sujos e baixos que a falta de caráter é capaz de causar.
As cenas gravadas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF e delegado aposentado – que não denunciou o esquema por estar comprometido com a ética, mas sim porque se beneficiará judicialmente com a delação premiada –, mostram funcionários do alto escalão do governo brasiliense em momentos extremamente constrangedores. Alguns rezam ao receber o dinheiro ilegal; outros escondem o dinheiro em diversas peças de roupas, como nos bolsos dos paletós, nas meias e até em suas cuecas.
Essas cenas só demonstram como a falta de ética atinge todos os âmbitos e todas as esferas da política brasileira. Esquemas de favorecimentos se perpetuam e se alastram em maior grau, intensidade, e envolvem cada vez mais os políticos poderosos. Ou será que alguém já esqueceu que José Sarney, ex-presidente da República e atual presidente do Senado, esteve atolado até o pescoço com os atos secretos, que jogaram na lama a credibilidade da casa legislativa?
Apesar dos diversos pedidos de impeachment, já movidos contra o governador, ele tentará a todo custo se manter no poder. Aqui percebemos outro grave problema da política no Brasil: a impunidade. Como Sarney, ele usará os mesmos artifícios: colocará pessoas de sua confiança para analisar os pedidos de impedimento de governo. Isso sem contar que o próprio Arruda já participou de episódios lamentáveis, como a violação do painel do Senado, em 2001.
E o mais trágico é que, mesmo quando pessoas tentam protestar por mais ética e mais vergonha na cara, como fizeram os estudantes que invadiram a Câmara Legislativa do DF, surgem pessoas que tem a cara de pau de fazer uma manifestação a favor da permanência de Arruda no poder. Posso afirmar que essas pessoas são absurdamente imbecis, e não há outra nomenclatura para elas. Toda essa situação seria cômica, se não fosse trágica.
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