domingo, 29 de novembro de 2009

Mera questão de Educação

Há algumas semanas morreu o grande antropólogo Claude Lévi-Strauss, uma das pessoas que mais lutou para acabar com o mito das raças superiores. Alguns estudos de Lévi-Strauss foram realizados aqui no Brasil, um país que, pelo menos em seu senso comum, se diz sem preconceitos. Eu tenho uma visão diferente. O brasileiro, senhoras e senhores, é preconceituoso sim. E o pior de tudo: ainda não há perspectivas para resolver as desigualdades históricas entre as populações menos e as mais favorecidas.

Para ter uma noção do que estou dizendo, basta visitar minha faculdade. Estudo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Em minha sala, poucos são os estudantes negros. Que me recordo agora são, no máximo, três. Fora isso, pelos corredores, é difícil cruzar com uma pessoa negra, que, infelizmente, não seja uma servente ou um segurança.

Até entre os professores não tenho certeza se há algum negro. O pior, porém, não vem apenas dessas desigualdades sutis que, no cotidiano, ficam esquecidas pela sociedade. Do governo que deveríamos esperar uma proposta sensata visando diminuir as desigualdades existentes, pelo contrário. O projeto em tramitação no Congresso Nacional que estabelece 25% das vagas de uma universidade para estudantes das minorias menos favorecidas, como os negros, é de uma irresponsabilidade sem precedentes.

Estão legitimando uma divisão, que na prática já existe, quando deveriam lutar para acabar com ela. Muitos “ativistas” favoráveis à aprovação dessa lei absurda, nesse ponto já teriam dito que sou louco, desvairado e que não tenho amor à minha cor.

Respondo: ao invés de criar uma cota que só gerará mais preconceito, pois um aluno que não ingressou em seu curso poderá culpar um estudante que ingressou através da cota, por que não trabalhar para melhorar a educação pública, já que, segundo uma maioria, os negros são pobres e não têm condições de pagar seus estudos? Assim eles teriam, pelo menos, melhores condições de concorrer com a “elite branca” do país. Ah, eu esqueci... Educação não dá voto, né?

Mas seria simplista demais de minha parte olhar só para o preconceito racial. Uma coisa que não percebemos – ou fingimos não perceber – é o preconceito contra migrantes. Mais uma vez, infelizmente, recorro a um exemplo de minha faculdade. Tenho uma professora que veio da Bahia e dá aulas de ética e filosofia – percebam a contradição. Certo dia, ela lia um texto para sala e, devido ao seu sotaque, disse “catigoria”, ao invés de categoria. A reação foi uma das mais bizarras que presenciei até agora dentro da universidade, um lugar que deveria respeitar as diferenças raciais, culturais, étnicas e sexuais.

Também tenho meus preconceitos, mas saber respeitar deveria superar qualquer atitude impensada. Ter educação é fundamental para que os preconceitos sejam suprimidos e não passem dos pensamentos para ação. Só que educação é algo que está ficando em segundo plano atualmente.

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