É possível se acostumar aos novos vestibular e Enem sem sofrer?
O vestibular que conhecemos mudou. Tanto em provas tradicionais, caso da FUVEST, como no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, aplicado pelo Ministério da Educação (MEC). As dúvidas dos seis milhões de estudantes que prestarão o novo exame e de todos os que pretendem prestar vestibulares são as seguintes: quais são as principais diferenças? Qual o objetivo delas? Quais serão os impactos para quem quer passar no vestibular este ano? Como as escolas se adaptarão a estas transformações?
No caso do Enem, as transformações foram radicais. Antes, ele possuía apenas 63 questões e era realizado em um dia. A partir de outubro deste ano, serão ao todo 180 questões em dois dias. Baseado no SAT, programa de avaliação norte-americano do ensino médio, o novo Enem tem como objetivo democratizar o acesso ao ensino superior para aqueles que vivem em regiões menos favorecidas, dizem alguns especialistas em educação.
Contudo, as mudanças não agradaram a todos os responsáveis pelos vestibulares. Vlaudimir Carboni, coordenador de vestibular da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que, a menos que este novo processo surpreenda de forma positiva, o Mackenzie deve manter a maneira como o Enem é usado em sua seleção. "A autonomia das universidades prevalecerá na forma de elaborar o processo de seleção", disse. O coordenador de vestibular do Colégio Bandeirantes, Osmar Antônio Ferraz ressalta: "O novo Enem é uma prova muito diferente, e com um agravante: será bastante exaustiva."
Na FUVEST, as alterações foram um pouco mais sutis. A primeira fase passou a ser eliminatória, não contando mais pontos para a segunda fase, como era antes. "Ocorrem mudanças na segunda fase também. Agora ela terá três dias. No primeiro, o vestibulando fará provas de português e redação. Independentemente da carreira, no segundo dia, os candidatos farão uma prova de 20 questões das outras matérias", informa Osmar Antônio. No terceiro dia, os alunos farão, de acordo com Osmar, provas específicas de cada carreira. Na quinta-feira 21 de maio, a FUVEST divulgou a lista das provas do terceiro dia em seu site.
A estudante Jéssica Guimarães, que pretende prestar Relações Internacionais na USP, acha que as alterações não foram benéficas. "Algumas das matérias da segunda fase não serão usadas na continuação da carreira", afirma. Ela também não entende o porquê das alterações terem ocorrido de maneira tão rápida. Quanto ao Enem, sua declaração é a seguinte: "O Enem não é uma prova 'decoreba' e é bom que alguns vestibulares adotem um conceito diferente." Em sua opinião, é importante que o exame do MEC conte pontos nos processos seletivos e também acha bom que algumas universidades o utilizem como forma única de seleção de candidatos.
De acordo com os coordenadores, pequenas mudanças devem ser feitas pelos vestibulandos, como fazer mais questões dissertativas, dedicar-se às matérias que eles apresentam uma maior dificuldade, sempre se empenhar ao máximo e fazer vestibulares antigos para se adaptar à prova.

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