domingo, 27 de setembro de 2009

Os porquês da mudança

A estudante Jéssica, de 17 anos, estuda para prestar o curso de Relações Internacionais. As alterções nos vestibulares não agradaram a todos

É possível se acostumar aos novos vestibular e Enem sem sofrer?

O vestibular que conhecemos mudou. Tanto em provas tradicionais, caso da FUVEST, como no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, aplicado pelo Ministério da Educação (MEC). As dúvidas dos seis milhões de estudantes que prestarão o novo exame e de todos os que pretendem prestar vestibulares são as seguintes: quais são as principais diferenças? Qual o objetivo delas? Quais serão os impactos para quem quer passar no vestibular este ano? Como as escolas se adaptarão a estas transformações?

No caso do Enem, as transformações foram radicais. Antes, ele possuía apenas 63 questões e era realizado em um dia. A partir de outubro deste ano, serão ao todo 180 questões em dois dias. Baseado no SAT, programa de avaliação norte-americano do ensino médio, o novo Enem tem como objetivo democratizar o acesso ao ensino superior para aqueles que vivem em regiões menos favorecidas, dizem alguns especialistas em educação.

Contudo, as mudanças não agradaram a todos os responsáveis pelos vestibulares. Vlaudimir Carboni, coordenador de vestibular da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que, a menos que este novo processo surpreenda de forma positiva, o Mackenzie deve manter a maneira como o Enem é usado em sua seleção. "A autonomia das universidades prevalecerá na forma de elaborar o processo de seleção", disse. O coordenador de vestibular do Colégio Bandeirantes, Osmar Antônio Ferraz ressalta: "O novo Enem é uma prova muito diferente, e com um agravante: será bastante exaustiva."

Na FUVEST, as alterações foram um pouco mais sutis. A primeira fase passou a ser eliminatória, não contando mais pontos para a segunda fase, como era antes. "Ocorrem mudanças na segunda fase também. Agora ela terá três dias. No primeiro, o vestibulando fará provas de português e redação. Independentemente da carreira, no segundo dia, os candidatos farão uma prova de 20 questões das outras matérias", informa Osmar Antônio. No terceiro dia, os alunos farão, de acordo com Osmar, provas específicas de cada carreira. Na quinta-feira 21 de maio, a FUVEST divulgou a lista das provas do terceiro dia em seu site.

A estudante Jéssica Guimarães, que pretende prestar Relações Internacionais na USP, acha que as alterações não foram benéficas. "Algumas das matérias da segunda fase não serão usadas na continuação da carreira", afirma. Ela também não entende o porquê das alterações terem ocorrido de maneira tão rápida. Quanto ao Enem, sua declaração é a seguinte: "O Enem não é uma prova 'decoreba' e é bom que alguns vestibulares adotem um conceito diferente." Em sua opinião, é importante que o exame do MEC conte pontos nos processos seletivos e também acha bom que algumas universidades o utilizem como forma única de seleção de candidatos.

De acordo com os coordenadores, pequenas mudanças devem ser feitas pelos vestibulandos, como fazer mais questões dissertativas, dedicar-se às matérias que eles apresentam uma maior dificuldade, sempre se empenhar ao máximo e fazer vestibulares antigos para se adaptar à prova.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A batalha supersônica está terminando

F - 18 Super Hornet
Rafale
Gripen NG


O Programa FX - 2, que começou a ser elaborado ainda na gestão Fernando Henrique, mas com valores bem mais modestos que o atual, voltou à pauta de negociações por volta de 2004. E suas principais decisões estão sendo tomadas num momento em que o Brasil vive uma grande transição. De princípio, especulava-se que estariam na disputa os caças Eurofighter Thypon (de um consórcio europeu), o sueco Gripen, o russo Sukhoi SU35, o francês Rafale, e um americano ainda não definido. Chegaram ao final o sueco, o francês e o americano.

O petróleo do pré-sal, a biodiversidade da Amazônia e a modernização de nosso "compañero" da "revolução bolivariana" - que recentemente também rearmou sua Aeronáutica com os bons Sukhoi Su30 MK2 -, são demonstrações de que nosso país precisava, sim, de um grande investimento na área de defesa. Com os novos caças, o país reforça sua presença como potência regional.

Não sou especialista em assuntos militares. Contudo, é possível fazer uma análise da atual concorrência para fornecer os caças ao Brasil.

F-18 Super Hornet

Pontos Positivos: é o mais testado atualmente. Foi muito usado nos combates recentes no Afeganistão e no Iraque, e obteve bons resultados.

Pontos fracos: transferência de tecnologia. Um dos pontos que definirá o vencedor será este, e o Congresso americano tende a vetar possíveis acordos. Além disso, o Super Hornet já um produto consolidado no mercado, tendo pouca ou nenhuma nova tecnologia a ser agregada ao seu projeto.

Preço estimado: R$ 130 milhões

Rafale

Pontos fortes: a França aceita transferência de tecnologia e já existem também acordos de transferência nas construção de submarinos, helicópteros e estaleiros.

Pontos fracos: é o mais caro de todos e por esse motivo não venceu nenhuma das concorrências internacionais que participou no momento. O fator que pesa é que o Brasil pode se tornar dependente da França no quesito tecnologia.

Preço estimado: R$ 180 milhões

Gripen NG

Pontos fortes: é o mais barato e apresenta o menores custos de operação e manutenção. Por não ser um produto consolidado, ainda pode agregar várias tecnologias, e a Suécia pretende que o Brasil auxilie neste quesito. O país pode, também, se tornar exportador do caça para a América do Sul.

Pontos fracos: num futuro, seus gastos de operação e manutenção podem subir quando o projeto estiver finalizado.

Preço estimado: R$ 96,5 milhões

Apesar de algumas declarações precipitadas de Lula sobre a decisão de compra, o projeto está muito bem encaminhado. Todos os caças são excelentes armas de guerra, mas minha preferência é pelo sueco. O governo faz muito bem e renovar a frota de supersônicos do país. Só esperamos agora que o presidente leve em consideração o relatório técnico da FAB e faça a escolha mais adequada.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Surge um novo campão


Na segunda desta semana, assisti um dos jogos de tênis mais fantásticos da temporada. A final do US Open, o quarto e último Grand Slam do ano, foi disputada numa verdadeira batalha entre o suiço Roger Federer - o maior de todos os tempos - e o estreante em finais desse quilate, o argentino Juan Martín del Potro.

Quando todos esperavam uma vitória fácil de Federer - principalmente após seu passeio no primeiro set, vencido por 6/3 - a história entrou em ação novamente. Del Potro suportou a pressão de enfrentar sua primeira final desses torneios e após uma maratona de 4 horas e 6 minutos, conseguiu vencer o suiço pentacampeão do torneio.

A batalha disputa no Arthur Ashe Stadium, a maior quadra de tênis do planeta e quase o "quintal" de Federer, foi emocionante. Os dois tenistas apresentaram altos e baixos, e qualquer um seria merecedor da vítoria.

Quiz o tempo que surgisse um garoto de 20 anos no caminho de Federer para impedi-lo de vencer sua sexta coroa no torneio. Aliás, principalmente para os místicos que adoram números, seis parece não dar sorte ao helvético. Ano passado, ele foi derrotado na final de Wimbledon por Nadal quando também estava prestes a vencer seu sexto título. Nesse ano, o fato se repete.

Por fim, del Potro é o primeiro latino-americano desde 1977 a chegar na final e vencer o US Open. O último a conseguir tal feito foi seu compatriota Guilhermo Villas, quando o torneio ainda era disputado no "saibro" verde americano.

Para azar de del Potro - não só para ele, mas para todos os bons dessa era - ele teve que surgir no período hegemônico de Federer e Nadal. Porém, essa vitória demonstra que, em alguns anos, teremos um novo número um do mundo. E, é claro, o argentino Juan Martín del Potro é um fortíssimo candidato.

domingo, 6 de setembro de 2009

O fabuloso e o incrédulo Maradona


O Brasil conseguiu sua classificação para a Copa de 2010 na África do Sul apresentando um futebol convincente. A seleção não dá show, como se esperava daquele time de 2006. É um estilo de jogo muito diferente.

A seleção adquiriu a cara do jogo moderno; marca com primor - o que nem sempre era a praia dos brasileiros - e contra-ataca com impressionante velocidade e precisão. O passaporte para o mundial veio com uma vitória contundente sobre a Argentina de Maradona, Messi e cia.

Se observarmos o jogo, veremos que o Brasil não teve mais posse de bola do que os argentinos. O que explica a vitória pelo placar de 3x1? Vamos começar pela defesa de nossos hermanos. Sinceramente, Heinze, Sebá Domíngues e Otamendí não são defensores que impõem respeito. Isso ficou evidente no primeiro gol brasileiro, quando Luisão cabeceou, sozinho, para o fundo das redes argentinas. Um zagueiro de 1,92 metro não pode ter a liberdade que teve.

O único jogador que é seguro na zaga dos hermanos é Zanetti. Maradona também demonstrou que sua inexperiência de treinador pesa numa hora como um clássico contra o Brasil. A escalação do ataque já poderia contar com Sergio Aguero desde o ínicio do jogo e suas mudanças não surtiram o efeito desejado.

O processo que o grande ex-jogador argentino enfrenta é semelhante ao que Dunga enfrentou. Hoje, o treinador brasileiro conseguiu dar um padrão de jogo ao Brasil. Contudo, para chegar a esse patamar, passaram-se três anos com períodos de críticas, vaias de torcedores, etc. Maradona terá que classificar o time da Argentina e ajustá-lo para a Copa em menos de um ano. Ótimos jogadores como Messi, Tevez, Dátolo, Verón e Aguero eles têm. O que falta é conjunto, estágio que a seleção brasileira já atingiu.