sábado, 1 de agosto de 2009

Sarney como nos "bons" e velhos tempos

Dácio Vieira (à esq.) com sua esposa, a de Agaciel, Sarney, o próprio Agaciel e Renan Calheiros, na festa de casamento de uma das filhas do ex-diretor-geral.


Sarney - ao centro -, já como presidente do PDS (Partido Democrático Social), num encontro com jovens daquele partido.


A imprensa barsileira sofreu mais uma grave afronta nesta semana. Numa liminar que fere muito os princípios constitucionais, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo de publicar qualquer reportagem que envolva movimentos ou fatos da Operação Faktor - antes nomeada de Boi Barrica.

Essa operação da Polícia Federal investiga supostas irregularidades do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Uma reportagem publicada pelo Estado, Fernando aparece conversando com seu pai negociando a contratação do namorado de Maria Beatriz Sarney, neta do senador.

A liminar aprovada por Vieira é tão estapafúrdia, que foi rechassada por muitos órgãos de imprensa do país. "A constituição brasileira é muito clara, no sentido de que não se pode censurar previamente nenhum tipo de informação", disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da Agência Nacional de Jornais (ANJ).

Dácio Vieira é desembargador e foi consultor jurídico do Senado. Ele também está bem próximo do clã Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia, estando, inclusive, presente no casamento da filha deste. Em uma das fotos do casamento, Vieira está ao lado de Agaciel, Sarney e de Renan Calheiros, líder do PMDB e maior defensor de Sarney.

Outro evento em que Vieira e o presidente do Senado aparecem próximos foi quando o desembargador assumiu a presidência do TRE - DF. Durante o período que passou no Senado, Vieira trabalhou na gráfica da Casa. Na mesma época, Agaciel também trabalhava no local. O currículo do desembargador confirma essas informações e está disponível no site do TJDFT.

Mesmo que a ANJ tenha ficado surpresa com a iniciativa de Sarney, um ato como esse poderia ser previsível. O senador fez carreira política no período mais negro da história brasileira: a Ditadura Militar. Foi integrante da UDN e líder do governo Jânio Quadros na Câmara dos Deputados; assim que o regime militar impôs o fim do pluripartidarismo, Sarney migrou para o ARENA, o partido militar, onde chegou ao posto de presidente. Com a mudança do nome do partido para PDS, continuou ocupando o cargo máximo da legenda.

Por fim, ao não concordar com a indicação do PDS para que Paulo Maluf fosse candidato à presidência da República, desfiliou-se do partido para se unir ao PMDB - ao qual se mantém filiado até hoje. Conseguiu ser o candidato à vice de Tancredo Neves, e quando esse veio a falecer, tornou-se presidente do país.

Infelizmente, de um homem que já esteve ligado a partidos que pregavam a censura e que, aparentemente, não consegue separar sua vida pública da privada, não tínhamos como esperar atitude melhor. José Sarney representa hoje o tipo de político que o Brasil não tolera mais.

Veja na íntegra uma nota da ANJ: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,liminar-contra-o-estado-e-inconstitucional--diz-anj,412043,0.htm

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