sexta-feira, 21 de agosto de 2009

As alianças que geram problemas


Na semana passada, presenciamos uma das maiores derrotas desde que a crise no Senado teve início. Se paramos para pensar, várias pessoas sofreram pesadas perdas, algumas mais graves, outras mais leves.


A maior das derrotas, por incrível que possa parecer, não foi de José Sarney - presidente da Casa. Os maiores derrotados foram o PT e o senador Aloisio Mercadante. Mesmo não estando no centro das discussões de quebra de decoro parlamentar, que na maioria do tempo ficou polarizada entre PMDB e os oposicionistas DEM e PSDB, os dois conseguiram a façanha de saírem com enorme desgaste.


O PT, que representou o ideário de muitos com um discurso de ética acima de tudo no passado, sai perdendo pois sua base muitas vezes esteve desunida e com uma posição dúbia em relação à defesa ou não de Sarney. O partido entrou na crise com 12 senadores e a termina com apenas 10, já que Marina Silva e Flávio Arns decidiram sair do partido.


Mercadante também sofreu grande perda. No seu caso, a perda foi mais de credibilidade do que qualquer outra coisa. O líder do partido provou não ser tão líder assim. Não conseguiu unir seu partido em volta de sua ideia de não apoiar o arquivamento das denúncias contra Sarney. Levou vários enquadros de seu "amigo", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, seu pior erro foi afirmar que seu pedido de renúncia seria "irrevogável" e depois dizer que não renunciaria, à pedido de Lula.


O presidente também teve grande participação fundamental para o desgaste sofrido pelo PT. Lula, só porque possui altos índices de aprovação, achou que poderia tomar suas decisões sozinho. Ele preferiu unir-se ao PMDB e seus oligarcas pois julgou que esta aliança é essencial para a candidatura de Dilma à presidência. Lula passou por cima, literalmente, do princípio de que os três poderes devem ser separados e independentes.


Como mais da metade dos senadores petistas terão de tentar a reeleição, o preço político por apoiar Sarney ainda poderá ser alto. Se os eleitores forem minimamente atentos, vários senadores do PT terão dificuldades para voltarem ao plenário do Senado em 2011.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sarney e sua peculiar definição de Nazismo

José Sarney é realmente uma pessoa culta. Autor de 13 livros - entre prosas e poesias - hoje ´um dos imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupa a cadeira de número 38, cujo patrono foi Graça Aranha e onde já esteve também Santos Dumont.

Mas o maior problema de Sarney é que ele está tentando usar toda sua inteligência e sua habilidade narrativa para ludibriar grande parte dos eleitores deste país. No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo, que há algum tempo já vem denunciando várias irregularidades da família Sarney, publicou uma nova reportagem onde há a informação de que uma empreiteira do setor energético, setor do governo onde os Sarney possuem grande influência, havia comprador dois apartamentos em no bairro do Jardins, área nobre em São Paulo, para uso da família.

Em discurso no plenário na terça, Sarney afirma que o jornal está realizando uma " campanha sistemática" e que também adota uma "prática nazista" ao divulgar a notícia dos apartamentos. "Este país rasga a Constituição, porque nenhum de nós tem mais garantia à privacidade, não temos lei de imprensa, não temos direito de resposta", foi uma das afirmações do senador maranhense.

O Estado afirma que sempre tentou falar com o senador para que ele pudesse dizer suas versões dos fatos nas reportagens publicadas. No caso dessa última, a assessoria informou que o presidente do Senado não se pronunciaria.

Existem outras peculiaridades no discurso de Sarney. Como já disse, ele é uma pessoa muito culta, mas nesse acontecimento está claramente tentando enganar a opinião pública, afirmando que o jornal é nazista. Para que sabe, uma das práticas de Hitler era sufocar seus opositores, como todo ditador sempre fez. Agora eu me pergunto, qual é o nome da família que está por trás da censura do Estado? O desembargador Dácio Vieira aparece ao lado de quem, na foto de um casamento?

Para quem não se recorda, o desembargador esta ao lado de Sarney numa foto no casamento de uma das filhas de Agaciel Maia. Foi (Vieira) que impôs sob censura o jornal paulista, depois, é claro, de um pedido de Fernando Sarney, filho do senador Sarney.

Mais uma vez, as declarações de José Sarney se mostram incorretas. Porém, não pensem que foram erros acidentais. O oligarca do Maranhão faz isso de caso pensado para se fazer de vítima de denúncias contundentes. Se não existissem esses irregularidades, o jornal não publicaria os problemas que assolam Sarney.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bolt: o homem relâmpago

Usain Bolt e sua marca histórica.


9,58s. Esse é o recorde atual da prova dos 100 metros rasos, a mais nobre do atletismo. O detentor da façanha tem nome e sobrenome: Usain Bolt, o homem de todos os tempos.

Um ano depois de vencer em as Olimpíadas de Pequim, Bolt mais uma vez deixou os espectadores pasmos. Era noite de ontem em Berlim. Aqui no Brasil eram por volta de 16h40, quando mais uma vez vimos um momento histórico do esporte.

Há um ano, quando em Pequim Bolt fez impressionantes 9,69s, relaxando antes de a prova acabar, vários especialista do atletismo se perguntaram: qual será o limite deste jamaicano, que está prestes a completar 23 anos? A pressão parece não ser um problema para ele, já que nas provas em que disputa, o jamaicana dança, faz caras e bocas antes de correr. Bolt

Ainda não podemos afirmar, mas podemos dizer com certeza que Bolt já o melhor de todos. No momento ele é imbatível. Até a tão aguardada disputa com o americano Tyson Gay, detentor da melhor marca do ano - 9,77s - até então, foi ofuscada. Usain Bolt liderou a prova do começo ao fim e venceu com extrema facilidade. Não adiantou nem Tyson fazer seu melhor tempo da carreira - 9,71s.

"Eu disse 9,40. Acho que o recorde vai parar aí, mas nunca se sabe. Vou continuar correndo", disse Bolt depois da prova. Se conseguir realmente atingir a marca de 9,4s, ele gravará ainda mais seu nome na história. Bolt é o primeiro a correr os 100 metros em menos de 9,6s.

Num estádio construído por Hitler, onde já havia brilhado a estrela de Jessie Owens, mais um negro vira um mito, uma lenda do esporte mundial.

sábado, 8 de agosto de 2009

Uma minoria "complexada"

Na quinta-feira, assistimos ao pior episódio da crise que assola a seis meses o Senado Federal. A guerra entre governistas e oposição nunca ficou tão declarada como naquele dia. Tasso Jereissati (PSDB - CE) e Renan Calheiros (PMDB - AL) protagonizaram um ríspido bate-boca.

Tasso estava incomodado com um homem que estava na tribuna de convidados do Senado que provocava os tucanos e que dava apoios às ironias de Renan. O senador de Alagoas criticou a atitude do cearense e afirmou, apontando para Tasso, que a oposição é "uma minoria, com complexo de maioria."

Essa postura de Renan foram o ápice. "Não aponte esse dedo sujo pra cima de mim! Estou cansado de suas ameaças", disparou Tasso. Renan retorquiu à altura, fazendo com que a discussão descambasse para agressões palavra de baixo calão. O líder do PMDB, chamou - fora do microfone - Tasso de "coronel", e o tucano classificou Renan como " cangaceiro de terceira categoria". No fim, e também fora do microfone, o senador Renan, segundo relatos de senadores próximos, xingou Tasso de "seu merda".

Esse acontecimento mostra que a crise do Senado está longe de acabar. E as declarações do líder máximo da nação só prejudicam a já frágil imagem da instituição. Lula apoia Renan na declaração de uma "minoria, com complexo de maioria". Esse foi um comentário de Lula com seus assessores. Fazem isso, o presidente da República só ajuda a desmoralizar ainda mais a Casa Alta do Legislativo brasileiro.

Enquanto era oposição, Lula podia fazer o barulho que quisesse. Mas agora que é governo, não aceita que os "pizzaiolos" da oposição digam qualquer coisa ou façam qualquer declaração. Caso o façam, o ataque da base governista será duro e com o aval do presidente.

Leia a íntegra da discussão entre Renan e Tasso: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090807/not_imp414886,0.php

Um resultado relâmpago

Não podíamos esperar coisa diferente. O senador suplente Paulo Duque (PMDB - RJ), presidente do Conselho de Ética do Senado, arquivou nesta sexta-feira todas as denúncias e representações contra o presidente da instituição, José Sarney (PMDB - AP).

Que o Conselho de Ética - se é que podemos chamá-lo assim - iria livrar Sarney de todas as acusações , ninguém tinha dúvida, já que 10 dos 15 senadores que compõem a comissão são da base aliada e em sua maioria do PMDB. Porém, o que impressiona qualquer pessoa é a velocidade com que a situação que era complicada para o presidente do Senado, ficou tão boa, praticamente da noite para o dia.

Mas o tratamento que é aplicado ao presidente do Senado não o mesmo - lógico - para o senador Arthur Virgílio (PSDB - AM). Não que Virgílio seja um exemplo a ser seguido, e de fato tem culpa no cartório, pois permitiu que um funcionário de seu gabinete recebesse salário mesmo estando na Espanha, para estudar artes cênicas.

Não é certo Duque afirmar que contra Virgílio existem acusações "bem consistentes", enquanto para Sarney, não a nada de concreto. Isso é uma mentira. Bastaria ao presidente do Conseloh verificar nos atos secretos do Senado quantas pessoas têm algum tio de ligação com o clã Sarney e ele com certeza acharia irregularidades. Nunca é demais lembrar que Paulo Duque proferiu a seguinte frase: "Essa história de atos secretos é uma besteira".

"Quem pertence ao grupo majoritário é inocente e os outros são culpados por antecipação. Ou seja, virou um tribunal de excecução, coisa de ditadura, estamos nos igaulando a Venezuela", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM - TO).

O que falta aos nossos políticos?

Um abraço amigável entre Collor (de preto) e Lula (de vermelho)


É incrível como nossos políticos não tem um discurso firme e não mantém suas posições ideológicas.

Collor, ex-presidente do Brasil, que sofreu impeachment, mostrou que não mudou sua arrogância que o caracterizou enquato ocupava o Palácio do Planalto. Todavia, é um equívoco pensar que o alagoano não se transformou daquele período até os dias atuais. A maior diferença é o discurso e a visão nova que o senador tem de seus novos aliados.

Antes, principalmente quando ainda disputava a presidência, Collor era um ferrenho crítico de Sarney. Como o tempo passa, as ideias se modificam e, na visão dos nossos políticos, é completamente plausível se tornar aliado de alguém que no passado foi um de seus adversários. Hoje, o senador faz parte da "tropa de choque" disposta a defender Sarney a qualquer custo, e essa defesa, infelizmente, tem dado resultado.

Mas Collor não é o único a ter tal postura. O presidente Lula, que também já teve seus desentendimentos com Sarney quando esse foi presidente, passou a ter uma boa relação com o próprio Collor. Tudo em nome da governabilidade...

As atitudes do presidente da República, ao longo de toda essa crise do Senado, mostram como ele se vendeu para conseguir aprovar sua medidas provisórias e para conseguir o apoio político do PMDB em 2010. Lula chegou ao ponto de desafiar seu próprio partido, o PT, que pediu o afastamento de Sarney da presidência do Senado. Também chegou a afirmar que José Sarney não é uma pessoa comum e que seu passado deve ser levado em consideração, num possível julgamento. Pode-se depreender disso que Sarney pode ter cometido qualquer crime, mas seu passado "imaculado" é tão "bom", que poderia inocentá-lo de qualquer acusação.

Até com o próprio Collor o tratamento de Lula mudou. Em visita recente o estado de Alagoas, os dois se abraças num comício de obras do PAC. Uma postura estranha para quem havia pedido a cabeça de Collor à época do impeachment e com quem também já havia se desentendido. O dito popular "quem te viu; quem te vê" não poderia expressar tão bem tal situação.

Enfim, o que falta para nossos políticos é uma posição firme, que evite a mudança de opiniões entre eles próprios. Mas para que isso aconteça, precisaríamos de uma reforma política mais ampla, o que a curto prazo será difícil de acontecer

sábado, 1 de agosto de 2009

Sarney como nos "bons" e velhos tempos

Dácio Vieira (à esq.) com sua esposa, a de Agaciel, Sarney, o próprio Agaciel e Renan Calheiros, na festa de casamento de uma das filhas do ex-diretor-geral.


Sarney - ao centro -, já como presidente do PDS (Partido Democrático Social), num encontro com jovens daquele partido.


A imprensa barsileira sofreu mais uma grave afronta nesta semana. Numa liminar que fere muito os princípios constitucionais, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo de publicar qualquer reportagem que envolva movimentos ou fatos da Operação Faktor - antes nomeada de Boi Barrica.

Essa operação da Polícia Federal investiga supostas irregularidades do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Uma reportagem publicada pelo Estado, Fernando aparece conversando com seu pai negociando a contratação do namorado de Maria Beatriz Sarney, neta do senador.

A liminar aprovada por Vieira é tão estapafúrdia, que foi rechassada por muitos órgãos de imprensa do país. "A constituição brasileira é muito clara, no sentido de que não se pode censurar previamente nenhum tipo de informação", disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da Agência Nacional de Jornais (ANJ).

Dácio Vieira é desembargador e foi consultor jurídico do Senado. Ele também está bem próximo do clã Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia, estando, inclusive, presente no casamento da filha deste. Em uma das fotos do casamento, Vieira está ao lado de Agaciel, Sarney e de Renan Calheiros, líder do PMDB e maior defensor de Sarney.

Outro evento em que Vieira e o presidente do Senado aparecem próximos foi quando o desembargador assumiu a presidência do TRE - DF. Durante o período que passou no Senado, Vieira trabalhou na gráfica da Casa. Na mesma época, Agaciel também trabalhava no local. O currículo do desembargador confirma essas informações e está disponível no site do TJDFT.

Mesmo que a ANJ tenha ficado surpresa com a iniciativa de Sarney, um ato como esse poderia ser previsível. O senador fez carreira política no período mais negro da história brasileira: a Ditadura Militar. Foi integrante da UDN e líder do governo Jânio Quadros na Câmara dos Deputados; assim que o regime militar impôs o fim do pluripartidarismo, Sarney migrou para o ARENA, o partido militar, onde chegou ao posto de presidente. Com a mudança do nome do partido para PDS, continuou ocupando o cargo máximo da legenda.

Por fim, ao não concordar com a indicação do PDS para que Paulo Maluf fosse candidato à presidência da República, desfiliou-se do partido para se unir ao PMDB - ao qual se mantém filiado até hoje. Conseguiu ser o candidato à vice de Tancredo Neves, e quando esse veio a falecer, tornou-se presidente do país.

Infelizmente, de um homem que já esteve ligado a partidos que pregavam a censura e que, aparentemente, não consegue separar sua vida pública da privada, não tínhamos como esperar atitude melhor. José Sarney representa hoje o tipo de político que o Brasil não tolera mais.

Veja na íntegra uma nota da ANJ: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,liminar-contra-o-estado-e-inconstitucional--diz-anj,412043,0.htm