
Na semana passada, presenciamos uma das maiores derrotas desde que a crise no Senado teve início. Se paramos para pensar, várias pessoas sofreram pesadas perdas, algumas mais graves, outras mais leves.
A maior das derrotas, por incrível que possa parecer, não foi de José Sarney - presidente da Casa. Os maiores derrotados foram o PT e o senador Aloisio Mercadante. Mesmo não estando no centro das discussões de quebra de decoro parlamentar, que na maioria do tempo ficou polarizada entre PMDB e os oposicionistas DEM e PSDB, os dois conseguiram a façanha de saírem com enorme desgaste.
O PT, que representou o ideário de muitos com um discurso de ética acima de tudo no passado, sai perdendo pois sua base muitas vezes esteve desunida e com uma posição dúbia em relação à defesa ou não de Sarney. O partido entrou na crise com 12 senadores e a termina com apenas 10, já que Marina Silva e Flávio Arns decidiram sair do partido.
Mercadante também sofreu grande perda. No seu caso, a perda foi mais de credibilidade do que qualquer outra coisa. O líder do partido provou não ser tão líder assim. Não conseguiu unir seu partido em volta de sua ideia de não apoiar o arquivamento das denúncias contra Sarney. Levou vários enquadros de seu "amigo", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, seu pior erro foi afirmar que seu pedido de renúncia seria "irrevogável" e depois dizer que não renunciaria, à pedido de Lula.
O presidente também teve grande participação fundamental para o desgaste sofrido pelo PT. Lula, só porque possui altos índices de aprovação, achou que poderia tomar suas decisões sozinho. Ele preferiu unir-se ao PMDB e seus oligarcas pois julgou que esta aliança é essencial para a candidatura de Dilma à presidência. Lula passou por cima, literalmente, do princípio de que os três poderes devem ser separados e independentes.
Como mais da metade dos senadores petistas terão de tentar a reeleição, o preço político por apoiar Sarney ainda poderá ser alto. Se os eleitores forem minimamente atentos, vários senadores do PT terão dificuldades para voltarem ao plenário do Senado em 2011.




