Será possível a Sarney sustentar seu comando no Senado?
Ontem, mudanças de opinião ocorreram para tentar definir uma saída ao Senado, de sua crise atual. O PT, pela manhã, apresentou um pedido formal ao presidente da Casa, José Sraney (PMDB - AP), para que ele se afastasse de suas funções, engrossando um coro do qual já estavam presentes DEM, PSDB, PDT e alguns dissidentes do próprio PMDB.
Sarney, porém, mostrou que, como já havia dito Lula, não deve ser tratado como "um homem comum". Sua ameaça de renúncia ao cargo fez com que o próprio presidente da República enquadrasse seu partido para que o apoio a Sarney fosse mantido.
Essa atitude mostra as falhas que o Presidencialismo apresenta. Nesse sistema político, para que o presidente possa governar, devem, na maioria dos casos, formar alianças a fim de aprovar seus projetos. As declarações de Lula, além de tenatr resolver a atual crise do Legislativo, visionam a corrida presidencial em 2010.
Concordo com Lula. Sarney não é um "homem comum". Isso porque teve tino político sucifiente para perceber as mudanças de vento ocorridas em 1985, sendo vice de Tancredo Neves e assumindo a presidência do Brasil com a morte deste. Sarney levou o país à democracia que todos esperavam por mais de 20 anos.
Contudo, o presidente do Senado precisa perceber, ao contrário do que disse, que o presente momento da instituição que comanda é preocupante e que sim, ele tem ligação direta com seus problemas. Como ele está relacionado com isso? A nomeação de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado, foi um erro que o próprio Sarney poderia ter corrigido quando assumiu novamente a presidência em 2003.
O fato também de ter apadrinhados e parentes nomeados e exonerados por atos secretos e a própria existência desses atos, mostram que Sarney tem sim relação com a crise do Senado,como todos os outros senadores da Casa. Eles tem sua parcela de culpa, pois não é possível que, no meio dos 81 deles, ninguém sabia sobre os defeitos que a instituição apresenta.
É inegável que a saída de Sarney implicará em perdas para 2010. Cabe agora discutir o que vale mais a pena, a dignidade de um Senado completamente em descrédito comandado por uma pessoa também em descrédito ou as alianças da corrida presidencial.
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