quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Seria cômico, se não fosse trágico

Bom, amigos, depois de muito tempo posso finalmente retomar as escritas desse meu adorado blog. Esse semestre foi muito corrido, com muitos trabalhos na facul e tive, infelizmente, que abandonar momentaneamente esta atividade tão prazerosa, que é escrever.
Tratarei aqui, já neste retorno, de um tema espinhoso e difícil. Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do Democratas, está envolto num dos mais vergonhosos casos da política brasileira.
O Mensalão do Democratas, numa alusão ao esquema de pagamento de propina a pessoas influentes do PT e de alguns outros partidos, que ocorreu em 2005, tem contornos tão ou até mais trágicos do que seu “pré-cursor”. Podemos encontrar, no caso do Mensalão do Distrito Federal, todos os atos mais sujos e baixos que a falta de caráter é capaz de causar.
As cenas gravadas por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF e delegado aposentado – que não denunciou o esquema por estar comprometido com a ética, mas sim porque se beneficiará judicialmente com a delação premiada –, mostram funcionários do alto escalão do governo brasiliense em momentos extremamente constrangedores. Alguns rezam ao receber o dinheiro ilegal; outros escondem o dinheiro em diversas peças de roupas, como nos bolsos dos paletós, nas meias e até em suas cuecas.
Essas cenas só demonstram como a falta de ética atinge todos os âmbitos e todas as esferas da política brasileira. Esquemas de favorecimentos se perpetuam e se alastram em maior grau, intensidade, e envolvem cada vez mais os políticos poderosos. Ou será que alguém já esqueceu que José Sarney, ex-presidente da República e atual presidente do Senado, esteve atolado até o pescoço com os atos secretos, que jogaram na lama a credibilidade da casa legislativa?
Apesar dos diversos pedidos de impeachment, já movidos contra o governador, ele tentará a todo custo se manter no poder. Aqui percebemos outro grave problema da política no Brasil: a impunidade. Como Sarney, ele usará os mesmos artifícios: colocará pessoas de sua confiança para analisar os pedidos de impedimento de governo. Isso sem contar que o próprio Arruda já participou de episódios lamentáveis, como a violação do painel do Senado, em 2001.
E o mais trágico é que, mesmo quando pessoas tentam protestar por mais ética e mais vergonha na cara, como fizeram os estudantes que invadiram a Câmara Legislativa do DF, surgem pessoas que tem a cara de pau de fazer uma manifestação a favor da permanência de Arruda no poder. Posso afirmar que essas pessoas são absurdamente imbecis, e não há outra nomenclatura para elas. Toda essa situação seria cômica, se não fosse trágica.

domingo, 29 de novembro de 2009

Mera questão de Educação

Há algumas semanas morreu o grande antropólogo Claude Lévi-Strauss, uma das pessoas que mais lutou para acabar com o mito das raças superiores. Alguns estudos de Lévi-Strauss foram realizados aqui no Brasil, um país que, pelo menos em seu senso comum, se diz sem preconceitos. Eu tenho uma visão diferente. O brasileiro, senhoras e senhores, é preconceituoso sim. E o pior de tudo: ainda não há perspectivas para resolver as desigualdades históricas entre as populações menos e as mais favorecidas.

Para ter uma noção do que estou dizendo, basta visitar minha faculdade. Estudo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Em minha sala, poucos são os estudantes negros. Que me recordo agora são, no máximo, três. Fora isso, pelos corredores, é difícil cruzar com uma pessoa negra, que, infelizmente, não seja uma servente ou um segurança.

Até entre os professores não tenho certeza se há algum negro. O pior, porém, não vem apenas dessas desigualdades sutis que, no cotidiano, ficam esquecidas pela sociedade. Do governo que deveríamos esperar uma proposta sensata visando diminuir as desigualdades existentes, pelo contrário. O projeto em tramitação no Congresso Nacional que estabelece 25% das vagas de uma universidade para estudantes das minorias menos favorecidas, como os negros, é de uma irresponsabilidade sem precedentes.

Estão legitimando uma divisão, que na prática já existe, quando deveriam lutar para acabar com ela. Muitos “ativistas” favoráveis à aprovação dessa lei absurda, nesse ponto já teriam dito que sou louco, desvairado e que não tenho amor à minha cor.

Respondo: ao invés de criar uma cota que só gerará mais preconceito, pois um aluno que não ingressou em seu curso poderá culpar um estudante que ingressou através da cota, por que não trabalhar para melhorar a educação pública, já que, segundo uma maioria, os negros são pobres e não têm condições de pagar seus estudos? Assim eles teriam, pelo menos, melhores condições de concorrer com a “elite branca” do país. Ah, eu esqueci... Educação não dá voto, né?

Mas seria simplista demais de minha parte olhar só para o preconceito racial. Uma coisa que não percebemos – ou fingimos não perceber – é o preconceito contra migrantes. Mais uma vez, infelizmente, recorro a um exemplo de minha faculdade. Tenho uma professora que veio da Bahia e dá aulas de ética e filosofia – percebam a contradição. Certo dia, ela lia um texto para sala e, devido ao seu sotaque, disse “catigoria”, ao invés de categoria. A reação foi uma das mais bizarras que presenciei até agora dentro da universidade, um lugar que deveria respeitar as diferenças raciais, culturais, étnicas e sexuais.

Também tenho meus preconceitos, mas saber respeitar deveria superar qualquer atitude impensada. Ter educação é fundamental para que os preconceitos sejam suprimidos e não passem dos pensamentos para ação. Só que educação é algo que está ficando em segundo plano atualmente.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Maravilhosamente Olímpica

Nesta semana, o Rio de Janeiro entrou para os anais da história, não só da brasileira, mas também para a história do esporte. Numa decisão em que venceu sua concorrente com uma vantagem excepicional, a capital carioca se tornará a primeira cidade da América do Sul a realizar uma Olimpíada.

A "Cidade Maravilhosa", uma alcunha justificada pela beleza das praias locais, desbancou as concorrentes de peso Chicago, de Barak Obama; Tóquio, e sua pujança econômica (mesmo com a crise); e Madri, que tinha como trunfo a bem-sucedida realização dos jogos de 1992, em Barcelona.

Os fatores decisivos para que o Rio vencesse a disputa foram o fato de a América do Sul nunca ter sediado este evento e o momento econômico que o país atravessa. Isso sem falar na Copa do Mundo de 2014, que auxiliará a cidade a se preparar melhor do que nunca. Nesse quesito, o Brasil entra num seleto grupo que conseguiu realizar os dois maiores eventos esportivos com a diferença de dois anos. São eles México (Jogos Olímpicos - 1968 e Copa de 1970), Alemanha (Jogos de 1972 e Copa de 1974) e Estados Unidos (Copa de 1994 e Jogos de 1996).

A escolha do COI demonstra que o Brasil, na visão do resto do planeta, já apresenta condições suficientes para abrigar grandes competições. Mas esse ponto é o que me preocupa. Será que realmente estamos prontos? Será que nossos governantes entenderão que os gastos devem ser os mais transparentes possívies? Qual será o legado deixado, para a população, por esses eventos?

Na experiência anterior, o Pan de 2007, o qual pude acompanhar in loco, estes quesitos citados acima, foram postos de lado. Naquele período, os gastos totalizaram R$ 3,7 bi de dinheiro vindo dos cofres federais, um aumento impressionante de 800% no valor estimado. E quase nada desse valor exorbitante ficou de legado para a população da cidade, que por sinal foi muito ingrata a Lula, ao vaiá-lo durante a cerimônia de abertura - logo ele que mais despejou dinhero para a realização do evento.

Espero que estes erros que aconteceram no passado não reflitam na Copa de 2014 e nessas Olimpíadas. Os dois eventos podem ser o marco transformados do Brasil em potência global, como aconteceu em Seul 1988, em Barcelona 1992 e Pequim 2008 fizeram com seus respectivos países. Sinceramente, eu não era a favor de que o Rio vencesse a disputa por causa desses defeitos que já foram apontados acima. Como já vencemos, devemos torcer para que tudo dê certo, fiscalizar nossos governantes e realizar jogos que serão inesquecíveis!

domingo, 27 de setembro de 2009

Os porquês da mudança

A estudante Jéssica, de 17 anos, estuda para prestar o curso de Relações Internacionais. As alterções nos vestibulares não agradaram a todos

É possível se acostumar aos novos vestibular e Enem sem sofrer?

O vestibular que conhecemos mudou. Tanto em provas tradicionais, caso da FUVEST, como no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, aplicado pelo Ministério da Educação (MEC). As dúvidas dos seis milhões de estudantes que prestarão o novo exame e de todos os que pretendem prestar vestibulares são as seguintes: quais são as principais diferenças? Qual o objetivo delas? Quais serão os impactos para quem quer passar no vestibular este ano? Como as escolas se adaptarão a estas transformações?

No caso do Enem, as transformações foram radicais. Antes, ele possuía apenas 63 questões e era realizado em um dia. A partir de outubro deste ano, serão ao todo 180 questões em dois dias. Baseado no SAT, programa de avaliação norte-americano do ensino médio, o novo Enem tem como objetivo democratizar o acesso ao ensino superior para aqueles que vivem em regiões menos favorecidas, dizem alguns especialistas em educação.

Contudo, as mudanças não agradaram a todos os responsáveis pelos vestibulares. Vlaudimir Carboni, coordenador de vestibular da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que, a menos que este novo processo surpreenda de forma positiva, o Mackenzie deve manter a maneira como o Enem é usado em sua seleção. "A autonomia das universidades prevalecerá na forma de elaborar o processo de seleção", disse. O coordenador de vestibular do Colégio Bandeirantes, Osmar Antônio Ferraz ressalta: "O novo Enem é uma prova muito diferente, e com um agravante: será bastante exaustiva."

Na FUVEST, as alterações foram um pouco mais sutis. A primeira fase passou a ser eliminatória, não contando mais pontos para a segunda fase, como era antes. "Ocorrem mudanças na segunda fase também. Agora ela terá três dias. No primeiro, o vestibulando fará provas de português e redação. Independentemente da carreira, no segundo dia, os candidatos farão uma prova de 20 questões das outras matérias", informa Osmar Antônio. No terceiro dia, os alunos farão, de acordo com Osmar, provas específicas de cada carreira. Na quinta-feira 21 de maio, a FUVEST divulgou a lista das provas do terceiro dia em seu site.

A estudante Jéssica Guimarães, que pretende prestar Relações Internacionais na USP, acha que as alterações não foram benéficas. "Algumas das matérias da segunda fase não serão usadas na continuação da carreira", afirma. Ela também não entende o porquê das alterações terem ocorrido de maneira tão rápida. Quanto ao Enem, sua declaração é a seguinte: "O Enem não é uma prova 'decoreba' e é bom que alguns vestibulares adotem um conceito diferente." Em sua opinião, é importante que o exame do MEC conte pontos nos processos seletivos e também acha bom que algumas universidades o utilizem como forma única de seleção de candidatos.

De acordo com os coordenadores, pequenas mudanças devem ser feitas pelos vestibulandos, como fazer mais questões dissertativas, dedicar-se às matérias que eles apresentam uma maior dificuldade, sempre se empenhar ao máximo e fazer vestibulares antigos para se adaptar à prova.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A batalha supersônica está terminando

F - 18 Super Hornet
Rafale
Gripen NG


O Programa FX - 2, que começou a ser elaborado ainda na gestão Fernando Henrique, mas com valores bem mais modestos que o atual, voltou à pauta de negociações por volta de 2004. E suas principais decisões estão sendo tomadas num momento em que o Brasil vive uma grande transição. De princípio, especulava-se que estariam na disputa os caças Eurofighter Thypon (de um consórcio europeu), o sueco Gripen, o russo Sukhoi SU35, o francês Rafale, e um americano ainda não definido. Chegaram ao final o sueco, o francês e o americano.

O petróleo do pré-sal, a biodiversidade da Amazônia e a modernização de nosso "compañero" da "revolução bolivariana" - que recentemente também rearmou sua Aeronáutica com os bons Sukhoi Su30 MK2 -, são demonstrações de que nosso país precisava, sim, de um grande investimento na área de defesa. Com os novos caças, o país reforça sua presença como potência regional.

Não sou especialista em assuntos militares. Contudo, é possível fazer uma análise da atual concorrência para fornecer os caças ao Brasil.

F-18 Super Hornet

Pontos Positivos: é o mais testado atualmente. Foi muito usado nos combates recentes no Afeganistão e no Iraque, e obteve bons resultados.

Pontos fracos: transferência de tecnologia. Um dos pontos que definirá o vencedor será este, e o Congresso americano tende a vetar possíveis acordos. Além disso, o Super Hornet já um produto consolidado no mercado, tendo pouca ou nenhuma nova tecnologia a ser agregada ao seu projeto.

Preço estimado: R$ 130 milhões

Rafale

Pontos fortes: a França aceita transferência de tecnologia e já existem também acordos de transferência nas construção de submarinos, helicópteros e estaleiros.

Pontos fracos: é o mais caro de todos e por esse motivo não venceu nenhuma das concorrências internacionais que participou no momento. O fator que pesa é que o Brasil pode se tornar dependente da França no quesito tecnologia.

Preço estimado: R$ 180 milhões

Gripen NG

Pontos fortes: é o mais barato e apresenta o menores custos de operação e manutenção. Por não ser um produto consolidado, ainda pode agregar várias tecnologias, e a Suécia pretende que o Brasil auxilie neste quesito. O país pode, também, se tornar exportador do caça para a América do Sul.

Pontos fracos: num futuro, seus gastos de operação e manutenção podem subir quando o projeto estiver finalizado.

Preço estimado: R$ 96,5 milhões

Apesar de algumas declarações precipitadas de Lula sobre a decisão de compra, o projeto está muito bem encaminhado. Todos os caças são excelentes armas de guerra, mas minha preferência é pelo sueco. O governo faz muito bem e renovar a frota de supersônicos do país. Só esperamos agora que o presidente leve em consideração o relatório técnico da FAB e faça a escolha mais adequada.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Surge um novo campão


Na segunda desta semana, assisti um dos jogos de tênis mais fantásticos da temporada. A final do US Open, o quarto e último Grand Slam do ano, foi disputada numa verdadeira batalha entre o suiço Roger Federer - o maior de todos os tempos - e o estreante em finais desse quilate, o argentino Juan Martín del Potro.

Quando todos esperavam uma vitória fácil de Federer - principalmente após seu passeio no primeiro set, vencido por 6/3 - a história entrou em ação novamente. Del Potro suportou a pressão de enfrentar sua primeira final desses torneios e após uma maratona de 4 horas e 6 minutos, conseguiu vencer o suiço pentacampeão do torneio.

A batalha disputa no Arthur Ashe Stadium, a maior quadra de tênis do planeta e quase o "quintal" de Federer, foi emocionante. Os dois tenistas apresentaram altos e baixos, e qualquer um seria merecedor da vítoria.

Quiz o tempo que surgisse um garoto de 20 anos no caminho de Federer para impedi-lo de vencer sua sexta coroa no torneio. Aliás, principalmente para os místicos que adoram números, seis parece não dar sorte ao helvético. Ano passado, ele foi derrotado na final de Wimbledon por Nadal quando também estava prestes a vencer seu sexto título. Nesse ano, o fato se repete.

Por fim, del Potro é o primeiro latino-americano desde 1977 a chegar na final e vencer o US Open. O último a conseguir tal feito foi seu compatriota Guilhermo Villas, quando o torneio ainda era disputado no "saibro" verde americano.

Para azar de del Potro - não só para ele, mas para todos os bons dessa era - ele teve que surgir no período hegemônico de Federer e Nadal. Porém, essa vitória demonstra que, em alguns anos, teremos um novo número um do mundo. E, é claro, o argentino Juan Martín del Potro é um fortíssimo candidato.

domingo, 6 de setembro de 2009

O fabuloso e o incrédulo Maradona


O Brasil conseguiu sua classificação para a Copa de 2010 na África do Sul apresentando um futebol convincente. A seleção não dá show, como se esperava daquele time de 2006. É um estilo de jogo muito diferente.

A seleção adquiriu a cara do jogo moderno; marca com primor - o que nem sempre era a praia dos brasileiros - e contra-ataca com impressionante velocidade e precisão. O passaporte para o mundial veio com uma vitória contundente sobre a Argentina de Maradona, Messi e cia.

Se observarmos o jogo, veremos que o Brasil não teve mais posse de bola do que os argentinos. O que explica a vitória pelo placar de 3x1? Vamos começar pela defesa de nossos hermanos. Sinceramente, Heinze, Sebá Domíngues e Otamendí não são defensores que impõem respeito. Isso ficou evidente no primeiro gol brasileiro, quando Luisão cabeceou, sozinho, para o fundo das redes argentinas. Um zagueiro de 1,92 metro não pode ter a liberdade que teve.

O único jogador que é seguro na zaga dos hermanos é Zanetti. Maradona também demonstrou que sua inexperiência de treinador pesa numa hora como um clássico contra o Brasil. A escalação do ataque já poderia contar com Sergio Aguero desde o ínicio do jogo e suas mudanças não surtiram o efeito desejado.

O processo que o grande ex-jogador argentino enfrenta é semelhante ao que Dunga enfrentou. Hoje, o treinador brasileiro conseguiu dar um padrão de jogo ao Brasil. Contudo, para chegar a esse patamar, passaram-se três anos com períodos de críticas, vaias de torcedores, etc. Maradona terá que classificar o time da Argentina e ajustá-lo para a Copa em menos de um ano. Ótimos jogadores como Messi, Tevez, Dátolo, Verón e Aguero eles têm. O que falta é conjunto, estágio que a seleção brasileira já atingiu. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

As alianças que geram problemas


Na semana passada, presenciamos uma das maiores derrotas desde que a crise no Senado teve início. Se paramos para pensar, várias pessoas sofreram pesadas perdas, algumas mais graves, outras mais leves.


A maior das derrotas, por incrível que possa parecer, não foi de José Sarney - presidente da Casa. Os maiores derrotados foram o PT e o senador Aloisio Mercadante. Mesmo não estando no centro das discussões de quebra de decoro parlamentar, que na maioria do tempo ficou polarizada entre PMDB e os oposicionistas DEM e PSDB, os dois conseguiram a façanha de saírem com enorme desgaste.


O PT, que representou o ideário de muitos com um discurso de ética acima de tudo no passado, sai perdendo pois sua base muitas vezes esteve desunida e com uma posição dúbia em relação à defesa ou não de Sarney. O partido entrou na crise com 12 senadores e a termina com apenas 10, já que Marina Silva e Flávio Arns decidiram sair do partido.


Mercadante também sofreu grande perda. No seu caso, a perda foi mais de credibilidade do que qualquer outra coisa. O líder do partido provou não ser tão líder assim. Não conseguiu unir seu partido em volta de sua ideia de não apoiar o arquivamento das denúncias contra Sarney. Levou vários enquadros de seu "amigo", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, seu pior erro foi afirmar que seu pedido de renúncia seria "irrevogável" e depois dizer que não renunciaria, à pedido de Lula.


O presidente também teve grande participação fundamental para o desgaste sofrido pelo PT. Lula, só porque possui altos índices de aprovação, achou que poderia tomar suas decisões sozinho. Ele preferiu unir-se ao PMDB e seus oligarcas pois julgou que esta aliança é essencial para a candidatura de Dilma à presidência. Lula passou por cima, literalmente, do princípio de que os três poderes devem ser separados e independentes.


Como mais da metade dos senadores petistas terão de tentar a reeleição, o preço político por apoiar Sarney ainda poderá ser alto. Se os eleitores forem minimamente atentos, vários senadores do PT terão dificuldades para voltarem ao plenário do Senado em 2011.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sarney e sua peculiar definição de Nazismo

José Sarney é realmente uma pessoa culta. Autor de 13 livros - entre prosas e poesias - hoje ´um dos imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupa a cadeira de número 38, cujo patrono foi Graça Aranha e onde já esteve também Santos Dumont.

Mas o maior problema de Sarney é que ele está tentando usar toda sua inteligência e sua habilidade narrativa para ludibriar grande parte dos eleitores deste país. No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo, que há algum tempo já vem denunciando várias irregularidades da família Sarney, publicou uma nova reportagem onde há a informação de que uma empreiteira do setor energético, setor do governo onde os Sarney possuem grande influência, havia comprador dois apartamentos em no bairro do Jardins, área nobre em São Paulo, para uso da família.

Em discurso no plenário na terça, Sarney afirma que o jornal está realizando uma " campanha sistemática" e que também adota uma "prática nazista" ao divulgar a notícia dos apartamentos. "Este país rasga a Constituição, porque nenhum de nós tem mais garantia à privacidade, não temos lei de imprensa, não temos direito de resposta", foi uma das afirmações do senador maranhense.

O Estado afirma que sempre tentou falar com o senador para que ele pudesse dizer suas versões dos fatos nas reportagens publicadas. No caso dessa última, a assessoria informou que o presidente do Senado não se pronunciaria.

Existem outras peculiaridades no discurso de Sarney. Como já disse, ele é uma pessoa muito culta, mas nesse acontecimento está claramente tentando enganar a opinião pública, afirmando que o jornal é nazista. Para que sabe, uma das práticas de Hitler era sufocar seus opositores, como todo ditador sempre fez. Agora eu me pergunto, qual é o nome da família que está por trás da censura do Estado? O desembargador Dácio Vieira aparece ao lado de quem, na foto de um casamento?

Para quem não se recorda, o desembargador esta ao lado de Sarney numa foto no casamento de uma das filhas de Agaciel Maia. Foi (Vieira) que impôs sob censura o jornal paulista, depois, é claro, de um pedido de Fernando Sarney, filho do senador Sarney.

Mais uma vez, as declarações de José Sarney se mostram incorretas. Porém, não pensem que foram erros acidentais. O oligarca do Maranhão faz isso de caso pensado para se fazer de vítima de denúncias contundentes. Se não existissem esses irregularidades, o jornal não publicaria os problemas que assolam Sarney.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bolt: o homem relâmpago

Usain Bolt e sua marca histórica.


9,58s. Esse é o recorde atual da prova dos 100 metros rasos, a mais nobre do atletismo. O detentor da façanha tem nome e sobrenome: Usain Bolt, o homem de todos os tempos.

Um ano depois de vencer em as Olimpíadas de Pequim, Bolt mais uma vez deixou os espectadores pasmos. Era noite de ontem em Berlim. Aqui no Brasil eram por volta de 16h40, quando mais uma vez vimos um momento histórico do esporte.

Há um ano, quando em Pequim Bolt fez impressionantes 9,69s, relaxando antes de a prova acabar, vários especialista do atletismo se perguntaram: qual será o limite deste jamaicano, que está prestes a completar 23 anos? A pressão parece não ser um problema para ele, já que nas provas em que disputa, o jamaicana dança, faz caras e bocas antes de correr. Bolt

Ainda não podemos afirmar, mas podemos dizer com certeza que Bolt já o melhor de todos. No momento ele é imbatível. Até a tão aguardada disputa com o americano Tyson Gay, detentor da melhor marca do ano - 9,77s - até então, foi ofuscada. Usain Bolt liderou a prova do começo ao fim e venceu com extrema facilidade. Não adiantou nem Tyson fazer seu melhor tempo da carreira - 9,71s.

"Eu disse 9,40. Acho que o recorde vai parar aí, mas nunca se sabe. Vou continuar correndo", disse Bolt depois da prova. Se conseguir realmente atingir a marca de 9,4s, ele gravará ainda mais seu nome na história. Bolt é o primeiro a correr os 100 metros em menos de 9,6s.

Num estádio construído por Hitler, onde já havia brilhado a estrela de Jessie Owens, mais um negro vira um mito, uma lenda do esporte mundial.

sábado, 8 de agosto de 2009

Uma minoria "complexada"

Na quinta-feira, assistimos ao pior episódio da crise que assola a seis meses o Senado Federal. A guerra entre governistas e oposição nunca ficou tão declarada como naquele dia. Tasso Jereissati (PSDB - CE) e Renan Calheiros (PMDB - AL) protagonizaram um ríspido bate-boca.

Tasso estava incomodado com um homem que estava na tribuna de convidados do Senado que provocava os tucanos e que dava apoios às ironias de Renan. O senador de Alagoas criticou a atitude do cearense e afirmou, apontando para Tasso, que a oposição é "uma minoria, com complexo de maioria."

Essa postura de Renan foram o ápice. "Não aponte esse dedo sujo pra cima de mim! Estou cansado de suas ameaças", disparou Tasso. Renan retorquiu à altura, fazendo com que a discussão descambasse para agressões palavra de baixo calão. O líder do PMDB, chamou - fora do microfone - Tasso de "coronel", e o tucano classificou Renan como " cangaceiro de terceira categoria". No fim, e também fora do microfone, o senador Renan, segundo relatos de senadores próximos, xingou Tasso de "seu merda".

Esse acontecimento mostra que a crise do Senado está longe de acabar. E as declarações do líder máximo da nação só prejudicam a já frágil imagem da instituição. Lula apoia Renan na declaração de uma "minoria, com complexo de maioria". Esse foi um comentário de Lula com seus assessores. Fazem isso, o presidente da República só ajuda a desmoralizar ainda mais a Casa Alta do Legislativo brasileiro.

Enquanto era oposição, Lula podia fazer o barulho que quisesse. Mas agora que é governo, não aceita que os "pizzaiolos" da oposição digam qualquer coisa ou façam qualquer declaração. Caso o façam, o ataque da base governista será duro e com o aval do presidente.

Leia a íntegra da discussão entre Renan e Tasso: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090807/not_imp414886,0.php

Um resultado relâmpago

Não podíamos esperar coisa diferente. O senador suplente Paulo Duque (PMDB - RJ), presidente do Conselho de Ética do Senado, arquivou nesta sexta-feira todas as denúncias e representações contra o presidente da instituição, José Sarney (PMDB - AP).

Que o Conselho de Ética - se é que podemos chamá-lo assim - iria livrar Sarney de todas as acusações , ninguém tinha dúvida, já que 10 dos 15 senadores que compõem a comissão são da base aliada e em sua maioria do PMDB. Porém, o que impressiona qualquer pessoa é a velocidade com que a situação que era complicada para o presidente do Senado, ficou tão boa, praticamente da noite para o dia.

Mas o tratamento que é aplicado ao presidente do Senado não o mesmo - lógico - para o senador Arthur Virgílio (PSDB - AM). Não que Virgílio seja um exemplo a ser seguido, e de fato tem culpa no cartório, pois permitiu que um funcionário de seu gabinete recebesse salário mesmo estando na Espanha, para estudar artes cênicas.

Não é certo Duque afirmar que contra Virgílio existem acusações "bem consistentes", enquanto para Sarney, não a nada de concreto. Isso é uma mentira. Bastaria ao presidente do Conseloh verificar nos atos secretos do Senado quantas pessoas têm algum tio de ligação com o clã Sarney e ele com certeza acharia irregularidades. Nunca é demais lembrar que Paulo Duque proferiu a seguinte frase: "Essa história de atos secretos é uma besteira".

"Quem pertence ao grupo majoritário é inocente e os outros são culpados por antecipação. Ou seja, virou um tribunal de excecução, coisa de ditadura, estamos nos igaulando a Venezuela", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM - TO).

O que falta aos nossos políticos?

Um abraço amigável entre Collor (de preto) e Lula (de vermelho)


É incrível como nossos políticos não tem um discurso firme e não mantém suas posições ideológicas.

Collor, ex-presidente do Brasil, que sofreu impeachment, mostrou que não mudou sua arrogância que o caracterizou enquato ocupava o Palácio do Planalto. Todavia, é um equívoco pensar que o alagoano não se transformou daquele período até os dias atuais. A maior diferença é o discurso e a visão nova que o senador tem de seus novos aliados.

Antes, principalmente quando ainda disputava a presidência, Collor era um ferrenho crítico de Sarney. Como o tempo passa, as ideias se modificam e, na visão dos nossos políticos, é completamente plausível se tornar aliado de alguém que no passado foi um de seus adversários. Hoje, o senador faz parte da "tropa de choque" disposta a defender Sarney a qualquer custo, e essa defesa, infelizmente, tem dado resultado.

Mas Collor não é o único a ter tal postura. O presidente Lula, que também já teve seus desentendimentos com Sarney quando esse foi presidente, passou a ter uma boa relação com o próprio Collor. Tudo em nome da governabilidade...

As atitudes do presidente da República, ao longo de toda essa crise do Senado, mostram como ele se vendeu para conseguir aprovar sua medidas provisórias e para conseguir o apoio político do PMDB em 2010. Lula chegou ao ponto de desafiar seu próprio partido, o PT, que pediu o afastamento de Sarney da presidência do Senado. Também chegou a afirmar que José Sarney não é uma pessoa comum e que seu passado deve ser levado em consideração, num possível julgamento. Pode-se depreender disso que Sarney pode ter cometido qualquer crime, mas seu passado "imaculado" é tão "bom", que poderia inocentá-lo de qualquer acusação.

Até com o próprio Collor o tratamento de Lula mudou. Em visita recente o estado de Alagoas, os dois se abraças num comício de obras do PAC. Uma postura estranha para quem havia pedido a cabeça de Collor à época do impeachment e com quem também já havia se desentendido. O dito popular "quem te viu; quem te vê" não poderia expressar tão bem tal situação.

Enfim, o que falta para nossos políticos é uma posição firme, que evite a mudança de opiniões entre eles próprios. Mas para que isso aconteça, precisaríamos de uma reforma política mais ampla, o que a curto prazo será difícil de acontecer

sábado, 1 de agosto de 2009

Sarney como nos "bons" e velhos tempos

Dácio Vieira (à esq.) com sua esposa, a de Agaciel, Sarney, o próprio Agaciel e Renan Calheiros, na festa de casamento de uma das filhas do ex-diretor-geral.


Sarney - ao centro -, já como presidente do PDS (Partido Democrático Social), num encontro com jovens daquele partido.


A imprensa barsileira sofreu mais uma grave afronta nesta semana. Numa liminar que fere muito os princípios constitucionais, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo de publicar qualquer reportagem que envolva movimentos ou fatos da Operação Faktor - antes nomeada de Boi Barrica.

Essa operação da Polícia Federal investiga supostas irregularidades do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Uma reportagem publicada pelo Estado, Fernando aparece conversando com seu pai negociando a contratação do namorado de Maria Beatriz Sarney, neta do senador.

A liminar aprovada por Vieira é tão estapafúrdia, que foi rechassada por muitos órgãos de imprensa do país. "A constituição brasileira é muito clara, no sentido de que não se pode censurar previamente nenhum tipo de informação", disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da Agência Nacional de Jornais (ANJ).

Dácio Vieira é desembargador e foi consultor jurídico do Senado. Ele também está bem próximo do clã Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia, estando, inclusive, presente no casamento da filha deste. Em uma das fotos do casamento, Vieira está ao lado de Agaciel, Sarney e de Renan Calheiros, líder do PMDB e maior defensor de Sarney.

Outro evento em que Vieira e o presidente do Senado aparecem próximos foi quando o desembargador assumiu a presidência do TRE - DF. Durante o período que passou no Senado, Vieira trabalhou na gráfica da Casa. Na mesma época, Agaciel também trabalhava no local. O currículo do desembargador confirma essas informações e está disponível no site do TJDFT.

Mesmo que a ANJ tenha ficado surpresa com a iniciativa de Sarney, um ato como esse poderia ser previsível. O senador fez carreira política no período mais negro da história brasileira: a Ditadura Militar. Foi integrante da UDN e líder do governo Jânio Quadros na Câmara dos Deputados; assim que o regime militar impôs o fim do pluripartidarismo, Sarney migrou para o ARENA, o partido militar, onde chegou ao posto de presidente. Com a mudança do nome do partido para PDS, continuou ocupando o cargo máximo da legenda.

Por fim, ao não concordar com a indicação do PDS para que Paulo Maluf fosse candidato à presidência da República, desfiliou-se do partido para se unir ao PMDB - ao qual se mantém filiado até hoje. Conseguiu ser o candidato à vice de Tancredo Neves, e quando esse veio a falecer, tornou-se presidente do país.

Infelizmente, de um homem que já esteve ligado a partidos que pregavam a censura e que, aparentemente, não consegue separar sua vida pública da privada, não tínhamos como esperar atitude melhor. José Sarney representa hoje o tipo de político que o Brasil não tolera mais.

Veja na íntegra uma nota da ANJ: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,liminar-contra-o-estado-e-inconstitucional--diz-anj,412043,0.htm

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Renovação e nova hegemonia

Renovado, o Brasil venceu grandes rivais - como Cuba, Rússia e Sérvia - para chegar ao seu oitavo título da Liga Mundial, tornando-se assim, o maior vencedor da competição, ao lado da Itália.


Em 2008, uma medalha de prata nas Olimpíadas de Pequim marcou o fim de uma era, na qual o melhor time de todos os tempos, em qualquer esporte, venceu tudo. A seleção de vôlei do Brasil assistiu ao fim de um capítulo na história com um vice-campeonato.


Um jeito estranho de encerrar um ciclo olímpico para um time que estava acostumado a todos os tipos de glórias e conquistas. O técnico Bernardinho, no comando da equipe desde 2001, havia vencido 6 Ligas Mundiais, 2 Copas do Mundo, 2 Campeonatos Mundiais, 1 Pan-Americano e 1 Olimpíada, antes daquela fatídica final contra os EUA.


O Brasil perdeu por 3 sets a 1. E antes da final, o jogo EUA x Rússia, na semi-final - um dos mais fantásticos da história do voleibol -, mostrou que nosso país tinha chegado a Pequim como uma terceira força.


Quase um ano depois, nossa equipe voltou ao topo. Inicio-se um novo ciclo e agora, a seleção renovada mostra que continua entrew as melhores do planeta, Acho difícil repetir o desempenho das últimas temporadas, mas com certeza, o Brasil demonstrou que continuará brigando por títulos.


Acabamos de ser, pela oitava vez, campeões da Liga Mundial. Do time que entrou em quadra no domingo, apenas o líbero Serginho e o ponta Giba eram titulares na final de 2008. Num jogo eletrizante, vencemos a Sérvia, um dos mais tradicionais rivais, em Belgrado, por 3 sets a 2. A nova safra do vôlei masculino tem um grande potencial para se manter entre os melhores, se não como o melhor. O que podemos dizer de imediato é que o Brasil também é o país do vôlei!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Será o fim do clã Sarney?


Cada vez mais percebemos que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB - AP), está sim envolto na crise que atinge a instituição - fato muito diferente das palavras proferidas pelo senador a alguns meses atrás. Desta vez, porém, a situação política de Sarney tornou-se quase insusentável.




Na quarta-feira, o jornal O Estado de S. Paulo divulgou alguns diálogos gravados com autorização judicial, pela Polícia Federal, onde Fernando Sarney - filho do senador - discute com sua filha, Bia Sarney, a possibilidade de seu namorado assumir uma vaga deixada por seu meio irmão no Senado.




No desenrolar das conversas, Fernando afirma que já havia falado com Agaciel Maia, à época diretor-geral do Senado (colocado no cargo por Sarney), para tentar efetivar a contratação do namorado da filha. Entretanto, para que ocorra a nomeação, Fernando é informado por Agaciel que ele precisaria do aval do presidente do Senado (naquele momento era Garibaldi Alves, do PMDB - RN) ou então de José Sarney. Em 2 de abril de 2008, Fernando liga para Sarney, informa que já havia acertado alguns detalhes com Agaciel e pede ao pai que fale com o diretor-geral. O diálogo deu resultado. Em 10 de abril do mesmo ano, Henrique Dias Bernardes, namorado de Bia, foi nomeado Assistente Parlamentar 3, com ganhos salariais de R$ 2,7 mil.




O diálogo dos Sarney mostra como a família do ex-presidente da República tem poder dentro do Senado e exibe também a relação que José Sarney tanto queria evitar, sua ligação direta entre os atos secretos - forma como a efetivação de Henrique Bernardes aconteceu. Além de, é claro, escancarar uma outra face de atos ilícitos: o nepotismo.




O presidente Lula mais uma vez saiu em defesa de seu aliado. "É preciso saber o tamanho do crime. Uma coisa é roubar, matar, outra coisa é pedir emprego e o tráfico de influência, o lobby. O que não se pode é vender tudo como um crime de pena de morte", foi a declaração do comandante máximo do país, em entrevista à Rádio Globo. Lula pode até estar certo, pois matar, em minha opinião, é o mais grave de todos os crimes. Todavia, o que não pode acontecer é um presidente ser conivente com tal ato sujo, uma negociação de um cargo público que deveria ser preenchido mais por méritos - mesmo que por indicação - do que por um pedido, como este caso ilustrado pela família Sarney.


O presidente do Senado enfrenta, depois do recesso parlamentar, o Conselho de Ética. Mas eu me pergunto, como esse conselho pode ser ético se o presidente, o senador Paulo Duque (PMDB - RJ) afirma que os atos secretos são "besteira, não tem importância". Duque pode dizer asneiras como essa porque não tem de prestar contas à população, já que é o segundo suplente de Sérgio Cabral, atualmente governador do Rio de Janeiro. O primeiro suplente, Regis Fichtner, ocupa a chefia de Gabinete Civil do mesmo estado.


Agora questiono: será que o clã Sarney está no fim? É possível imaginar que não e ainda afirmar que nem a própria ocupação de presidente do Senado está ameaçada. José Sarney está blindado no Conselho de Ética. Para ocupar o lugar do oligarca Sarney, não faltam familiares e aliados políticos. Existem Roseana Sarney, filha, ex-senadora e atual governadora do Maranhão - o feudo dos Sarney -; Zequinha Sarney, deputado estadual, um pouco menos conhecido que Roseana; e não custa lembrar do próprio Fernando Sarney que, apesar de não ser político, tem excelente trânsito no alto escalão de estatais, principalmente do setor energático.


Como aliados ainda podemos citar Renan Calheiros (PMDB - AL), líder do PMDB no Senado e Edison Lobão, hoje ministro de Minas e Energia. Essa posição de Lobão só é benéfica para Fernando Sarney.


Apesar de todas as negatividades que o Senado apresenta, ainda temos um quê de esperança quando Cristovam Buarque (PDT - DF), Pedro Simon (PMDB - RS) e a bancada do PT, ontem, solicitaram que Sarney renuncie ou afaste-se de seu cargo. É amigos, parece que o clã Sarney estará na política por algum tempo. Infelizmente.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sombrio? Sim. Fiel ao livro? Eu discordo...

O Voto Perpétuo entre Snape e Narcisa Malfoy, assistida por sua irmã Belatriz Lestrange


Ontem fui assistir a Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Algumas críticas que li antes de ver o filme disseram que este é o mais sombrio de toda a série. Isso realmente acontece em muitas cenas, mostrando que os desafios a serem enfrentados pelo bruxo são mais tenebrosos do que a maioria de nós imaginamos.


Os adolescentes que agora povoam Hogwarts - a escola dos bruxos - vivem momentos difíceis, tanto na descoberta de seus sentimentos e hormônios em ebulição, quanto no duelo entre bem e mal, muito declarado com um bom jogo de luzes e uma bela criação de efeitos claro-escuro.


O filme dá mais ênfase a esses problemas que qualquer adolescente enfrenta como descobertas amorosas. O diretor, o britânico David Yates, acertou em cheio neste quesito. Porém, discordo de muitos críticos que dizem que o filme é extremamente fiel ao livro. Como nada é perfeito, algumas cenas, pelo menos para mim, que seriam fundamentais para entender o que acontecerá na sequência da história ficaram faltando.


Como exemplo disso, posso dizer que Dumbledore nem sequer dá uma pista a Harry sobre as prováveis Horcruxes que ainda restam à Lord Voldemort. Ou a passagem do livro em que o diretor mostra a Harry como ele obteve o anel Horcrux do avô do Lord das Trevas.


Para fazer estas cenas, uma que poderia ser excluída é a do duelo - inexistente no livro - entre Harry, Gina, Tonks, Lupi e o sr. Weasley contra Belatriz e Fenrir Greyback, onde a Toca - casa dos Weasley - é destruída, o que também não acontece no livro.


Em suma, o filme é bastante interessante, bem-feito, com cenas bem elaboradas e boas atuações. Entretanto, como é em todos os casos, o livro é melhor que o filme, mas isso não compromete a qualidade do segundo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O retorno do Rei


Não existia melhor lugar para Roger Federer entrar para história como maior tenista de todos os tempos. O helvético conquistou, neste domigo, seu 15º título de Grand Slam (os quatro principais torneios de tênis do mundo), superando o americano Pete Sampras, vencedor de 14 taças.


O que difere Federer de Sampras, além é claro do número de taças, é o fato do suíço já ter vencido todos os torneios do Grand Slam (Sampras nunca venceu Roland Garros). O que torna a conquista de Federer ainda mais histórica é o local onde ela ocorreu. O Torneio de Wimbledon é o mais tradicional de todos - está em disputa desde 1877.


Na quadra central do All England Club, Federer precisou de 4h e 16 min para vencer o americano Andy Roddick em uma disputa de cinco sets. As parcias do jogo foram 5/7,7/6,7/6,3/6 e impressionantes 16/14. Este último set foi longo desta maneira porque nos Grand Slam, com excessão do US Open, a quinta parcial não possui tie-break. Este placar tornou-se a final mais longa da história de Wimbledon, superando a partida de 1958, que tinha no último set a parcial de 13/11.


Roddick não foi um mero coadjuvante desta conquista de Federer. Para os que imaginavam - como eu - uma vitória fácil do suíço, já que ele venceu nada menos do que 19 dos 21 confrontos entre os dois até hoje no circuito, uma surpresa. Roddick, o último número um do ranking antes de Federer, mostrou uma grande evolução em seu jogo e exigiu ao máximo o grande tênis que o helvético pode apresentar. Este fato só enaltece mais a grande consquista de Federer nesse domingo.


Na transmissão do jogo, Dácio Campos, comentarista do SporTV, fez uma grande observação que vale a pena reproduzir. "Se Federer fosse um pouco mais velho e tivesse jogado ao mesmo tempo que Agassi, Sampras, Guga, Bruguera, Correjta, Ferrero, Becker, Kafelnikov, Safin, Moyà, Hewitt, Rafter, Ivanisevic e outros tenistas muito bons, ele ainda sim seria o maior de todos, e pela qualidade destes jogadores, com certeza Federer descobriria mais algum talento que só ele tem!"


Federer é sem dúvida o maior de todos os tempos. Alguns fatos que mostram isso:



  • Desde Mats Wilander em 1988, Federer foi o único tenista a vencer três dos quatro Grand Slams na mesma temporada (2004), feito que repetiu em 2006 e 2007, podendo novamente repeti-lo este ano;


  • Entre 1970 e 2005 nenhum homem havia conseguido disputar todas as finais de Grand Slam numa mesma temporada. Federer fez isso em duas temporadas seguidas, entre 2006 e 2007, totalizando dez finais seguidas entre 2005 e 2007, vencendo oito delas;


  • Em Wimbledon deste ano, o suíço chegou à sua 21ª semi-final consecutiva de Grand Slam;


  • É o primeiro tenista a ganhar Wimbledon e US Open durante quatro temporadas consecutiva, entre 2004 e 2007;


  • Detém o recorde de semanas como número 1 do mundo. Ao todo são 237 semanas neste posto, entre 2 de fevereiro de 2004 e 17 de agosto de 2008. De quebra, ao vencer Wimbledon deste ano, Federer retorna ao topo do ranking;


  • É o único tenista da era Open, quando o tênis se tornou profissional, a vencer cinco vezes em sequência o US Open, e o único a vencer dois Grand Slams por cinco vezes consecutivas (Wimbledon 2003-2007 e US Open 2004-2008);

Estes são alguns dos números do incrível e espetacular Roger Federer. No domingo, assistindo à partida, pude ter certeza e felicidade em saber que estava vendo um fato histórico: a consagração do maior tenista de todos os tempos.



Feminino


As irmãs Williams, Venus e Serena, mostraram que seu domínio no tênis feminino está longe do fim. Na final disputada no sábado, Serena foi melhor e venceu por 2 sets a 0, parciais de 7/6 e 6/2, chegando assim ao seu 11º título de Grand Slam e sua terceira conquista em Wimbledon


De quebra, as irmãs ainda levaram o título feminino de duplas.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O "quintal de casa"


A grama sagrada de Wimbledon parece ter se tornado o quintal de Serena e Venus Williams. As duas irmãs decidiram pela quarta vez nos últimos oito anos, neste sábado, o Grand Slam inglês.



Serena venceu a disputa em 2002 e 2003. Por sua vez, Venus ganhou em 2008. Em 20 confrontos jogados até hoje, há equilíbrio total: 10 vitórias para cada ma das duas. Contudo, se levarmos em consideração as finais dos majors como US Open, Australian Open, Roland Garros e Wimbledon, Serena leva ampla vantagem. Em sete confrontos, a irmã mais nova venceu cinco, enquanto a mais velha, Venus, venceu apenas duas.



No geral, Serena tem 10 títulos, sendo que ela venceu todos os Grand Slams em seus respectivos pisos. Já Venus possui "apenas" sete conquistas e torneios desse porte sendo 5 deles em Wimbledon e mais dois no US Open.



Venus busca sua terceira taça consecutiva no torneio inglês e seu sexto troféu, o que a colocaria como a quarta maior vencedora da disputa. Ela não é derrotada em Wimbledon desde o torneio de 2006



Para chegar à final, as irmãs Williams tiveram caminhos distintos. Venus, nº 3 do mundo, precisou de apenas 55 min. para despachar Dinara Safina - nº 1 do ranking feminino -, por 2 sets a 0, parciais de 6/1 e 6/0. Serena, 2 ª colocada no ranking, enfrentou uma verdadeira maratona de 2 horas e 49 min. para vencer a 4ª colocada do ranking, Elena Dementieva.



Richard Williams, o pai de Serena e Venus, era corretor de seguros antes de investir na carreira das filhas. Sua empreitada mostra uma rara história de sucesso, já que juntas conquistaram 74 títulos e acumularam em prêmios um total de US$ 46 milhões.



De quebra, as duas ainda chegaram à final do torneio de duplas, repetindo o feito de 2008, quando foram campeãs. Realmente, Wimbledon é uma extensão do quintal onde podem brincar com suas adversárias!



*No domingo, reportarei como foram as finais do masculino e no feminino

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fenomenal


O Corinthians venceu sua terceira Copa do Brasil, ontem, em pleno Beira-Rio lotado. Foi um grande jogo, com todos os ingredientes de uma final: belos passes, grandes defesas, gols bonitos e, infelizmente, confusão.


Sou suspeito para falar pois sou corinthiano, mas meu time foi melhor durante grande parte da partida. No primeiro tempo, até achei estranho que o Inter não tinha ido direto para o "abafa". E mesmo se tivesse, sua tarefa ficou mais difícil aos 20 mim, quando Jorge Henrique cabeçeou, praticamente livre dentro da área para fazer 1x0. Houve uma falta no início da jogada do próprio Jorge Henrique, mas uma pessoa de 1,69 metro não pode, de forma alguma cabeçear sozinho dentro da área, enquanto todos os zagueiros são mais altos que o atacante.


André Santos, que havia voltado da seleção, fez o belo cruzamento para o camisa 23. Sua participação foi ainda mais quando, ao tabelar com Ronaldo, sair na cara de Lauro e fuzilar o arqueiro colorado: 2x0 e aí o jogo já estava definido. O Corinthians estava melhor na partida e o Inter, se irritava diante de seus próprios erros. Quando teve suas chances com Nilmar, o Inter esbarrou nas grandes defesas de Felipe.


Ronaldo não fez grande partida, mas foi bem nos dois lances de gol, passando as duas bolas para André Santos.


No segundo tempo, por alguns momentos, o panorama manteve-se o mesmo até o gol, de oportunismo e sorte, diga-se de passagem, de Alecssandro. André Santos, o nome do jogo, tentou interceptar um passe e acabou desviando a bola para o centroavante do Inter, que fez o gol.


Depois disso, começou a confusão. O Inter, irritado por estar perdendo o título em casa, partiu para agressão. D'Alessandro foi expulso por tentar agredir William, que teve uma atitude louvável em não partir para cima do argentino. Magrão e Guiñazu, que são bons jogadores, estavam confundindo raça com apelação à violência. Isso também se explica pela fato de Fernando Carvalho, vice-presidente do Inter, ter feito um DVD mostrando os jogos onde o Corinthians teria supostamente sido beneficiado pelos erros da arbitragem. Pura politicagem de uma pessoa que não admite perder. Erros acontecem para todos, e com certeza acontecem para o Inter também.


No final do segundo tempo, Elias foi expulso por levar um segundo amarelo merecido, e o Inter ainda descontou novamente com Alecssandro. Final do jogo: 2x2; Corinthians tricampeão.


A diretoria vem fazendo um trabalho maravilhoso, e Mano Menezes também. Se o Corinthians manter um bom elenco, os pés no chão e a gestão atual que é boa, 2010 poderá ser um ano tão bom quanto este.

Sair ou não sair, eis a questão.

Será possível a Sarney sustentar seu comando no Senado?

Ontem, mudanças de opinião ocorreram para tentar definir uma saída ao Senado, de sua crise atual. O PT, pela manhã, apresentou um pedido formal ao presidente da Casa, José Sraney (PMDB - AP), para que ele se afastasse de suas funções, engrossando um coro do qual já estavam presentes DEM, PSDB, PDT e alguns dissidentes do próprio PMDB.

Sarney, porém, mostrou que, como já havia dito Lula, não deve ser tratado como "um homem comum". Sua ameaça de renúncia ao cargo fez com que o próprio presidente da República enquadrasse seu partido para que o apoio a Sarney fosse mantido.

Essa atitude mostra as falhas que o Presidencialismo apresenta. Nesse sistema político, para que o presidente possa governar, devem, na maioria dos casos, formar alianças a fim de aprovar seus projetos. As declarações de Lula, além de tenatr resolver a atual crise do Legislativo, visionam a corrida presidencial em 2010.

Concordo com Lula. Sarney não é um "homem comum". Isso porque teve tino político sucifiente para perceber as mudanças de vento ocorridas em 1985, sendo vice de Tancredo Neves e assumindo a presidência do Brasil com a morte deste. Sarney levou o país à democracia que todos esperavam por mais de 20 anos.

Contudo, o presidente do Senado precisa perceber, ao contrário do que disse, que o presente momento da instituição que comanda é preocupante e que sim, ele tem ligação direta com seus problemas. Como ele está relacionado com isso? A nomeação de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado, foi um erro que o próprio Sarney poderia ter corrigido quando assumiu novamente a presidência em 2003.

O fato também de ter apadrinhados e parentes nomeados e exonerados por atos secretos e a própria existência desses atos, mostram que Sarney tem sim relação com a crise do Senado,como todos os outros senadores da Casa. Eles tem sua parcela de culpa, pois não é possível que, no meio dos 81 deles, ninguém sabia sobre os defeitos que a instituição apresenta.

É inegável que a saída de Sarney implicará em perdas para 2010. Cabe agora discutir o que vale mais a pena, a dignidade de um Senado completamente em descrédito comandado por uma pessoa também em descrédito ou as alianças da corrida presidencial.